[Resenha] - Livros: A linha e Destrua este diário em cores

A linha e Destrua este diário, ambos de Keri Smith
As novas bonitezas que a Editora Intrínseca me enviou são estes dois livros da artista Keri Smith: "A linha" e "Destrua este diário – agora em cores". Vocês já viram outras obras dela resenhadas aqui, lembram? 

Eu acho muito interessante a forma como ela desenvolve livros interativos que mexem com a imaginação até dos leitores mais tradicionais. Antes de ter o meu primeiro “Destrua este diário”, quatro anos atrás, eu nunca havia rabiscado um livro! rsrs Hoje já tenho “coragem” de fazer anotações – mas só naqueles que uso para estudar. Ressignificar o objeto livro é a proposta de Keri Smith.

A linha, Keri Smith
A linha

Neste livro de 224 páginas, a artista propõe que o leitor trace uma linha. Simples. Mas, a cada página, ele é orientado a seguir um caminho diferente, fazendo com que seja necessário acionar a criatividade para dar conta da tarefa. Saiba mais no site oficial da obra.

Destrua este diário – agora em cores

Destrua este diário - agora em cores
Comemorando 10 anos de lançamento da primeira edição de “Destrua este diário”, Keri Smith decidiu relançar a obra, mas agora com páginas coloridas e alguns desafios inéditos.

Quando o livro chegou ao Brasil, em 2013, rapidamente se tornou febre. Quem não se diverte sabendo que pode jogar o livro no chão ou rasgar suas páginas? Que isso não será malvisto ou repreendido? As páginas trazem “ordens” como molhar, dormir com, furar, desenhar, respingar... Tudo ativa a imaginação e faz com que tenhamos uma deliciosa sensação de liberdade.

Participei do booktour entre blogueiros realizado pela Intrínseca e foi super divertido. Agora, relendo os depoimentos e revendo as fotos, bateu uma saudade... Confira o que aprontamos lá no site também montado pela editora.

Destrua este diário” com certeza continuará divertindo e envolvendo leitores por muito tempo.


Espero que tenham gostado! Mal vejo a hora de entrar de férias para poder destruir estes dois livros! ♥ 

[Citação da semana] - Admirável Mundo Novo



"A felicidade real parece bem sórdida em comparação às compensações que se encontram na miséria. E sem dúvida a estabilidade não é tão bom espetáculo quanto a instabilidade. E estar contente nada tem do encanto de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de uma batalha contra a tentação, nem de uma derrota fatal pela paixão ou pela dúvida. A felicidade nunca é grandiosa."


Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley



[Resenha] - Livro: Admirável Mundo Novo

[Resenha] - Livro: Tartarugas até lá embaixo

John Green, nos agradecimentos do livro, diz: "Pode ser um caminho longo e difícil, mas os transtornos mentais são tratáveis. Há esperança, mesmo que seu cérebro lhe diga que não.". Esse trecho é uma boa introdução para o assunto do livro Tartarugas até lá embaixo, de 269 páginas, escrito pelo renomado John Green e publicado pela Intrínseca.

Aza Holmes, personagem principal do livro, luta diariamente contra sua própria mente. Ela tem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e é constantemente dominada pelos seus pensamentos, que se fecham no que ela chama de "espirais". Por mais que ela tente, é sempre difícil deixar essa espiral. Aza convive com a dúvida de sua existência: ela pensa por conta própria ou é apenas conduzida pelas espirais? Seus pensamentos obsessivos são sobre as bactérias - aquelas que habitam seu corpo e aquelas que podem, por algum motivo, vir a habitar. Além disso, possui a compulsão de cortar seu dedo com a própria unha, para saber que ela é real, e sempre trocar os band-aids.
"O mais apavorante não é girar sem parar numa espiral crescente, é girar sem parar na espirar que se afunila. É ser sugado para um redemoinho que vai se fechando mais e mais e esmagando seu mundo até você estar apenas girando sem sair do lugar, preso numa cela que é exatamente do seu tamanho e nem um milímetro a mais, até você finalmente se dar conta de que na verdade não está preso na cela. Você é a cela."
Paralelamente à mente de Aza, existe sua vida. Conhecemos sua melhor amiga, Daisy, que é uma escritora de fanfics sobre Star Wars. Outro personagem central é Davis, um garoto que Aza conheceu no acampamento para crianças que perderam um dos pais.
"Eu o amava, e pensei: talvez nunca mais o veja, e sempre sentirei saudade, e isso não é terrível?"
Os caminhos de Aza e Davis voltam a se cruzar quando o pai de Davis, o riquíssimo Russel Pickett, desaparece, e é ofertada uma recompensa por notícias de seu paradeiro. Daisy decide que Aza precisa se reencontrar com Davis, para que elas tenham chance de obter informações. No entanto, eles acabam ganhando grande importância na vida um do outro, muito além do dinheiro.
“Um dos desafios da dor, seja física ou psíquica, é que só podemos nos aproximar dela através de metáforas. Não temos como representá-la como fazemos com uma mesa ou um corpo. De certo modo, a dor é o oposto da linguagem.”
Tartarugas até lá em baixo é uma história sobre saúde mental, amizade, superação, amor, dinheiro, ambição, luto. John Green consegue, como sempre, incluir vários assuntos importantes.
"É muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu"
Achei o livro interessante em sua abordagem sobre o TOC, ainda tão desconhecido e banalizado pela população. Vale ressaltar que John Green, o autor do livro, possui TOC. O livro foi um projeto pessoal, com o intuito de mostrar às pessoas como é viver com as espirais. No entanto, achei a história um pouco fraca, se comparada aos outros livros do autor.

E aí, já leram o livro? O que acharam?

[Evento] - Jogo do Livro 2017

XII Jogo do Livro e II Seminário Internacional Latino Americano
XII Jogo do Livro e II Seminário
Internacional Latino Americano
Bom dia, ratinhos!

Como vocês devem saber, estou fazendo mestrado em Educação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

A minha pesquisa é dedicada à literatura infantil e ainda nem acredito na oportunidade que estou tendo de estudar na Faculdade de Educação (FaE)! 

Pois bem, hoje estou aqui para convidar vocês para o Jogo do Livro 2017, que será realizado de 8 a 10 de novembro. A inscrição como ouvinte custa R$ 50. 

O XII Jogo do Livro e II Seminário Latino-Americano tem como tema "Palavras em Deriva". Ele é organizado pelo Grupo de Pesquisa do Letramento Literário (GPELL), vinculado ao Centro de Alfabetização Leitura e Escrita (Ceale), da FaE. 

A conferência de abertura será conduzida pelo escritor Antônio Risério. Entre os convidados, também estão os ilustradores Odilon Moraes e Nelson Cruz, o escritor mineiro Sebastião Nunes e as pesquisadoras Maitê Dautant (Venezuela), María Emilia Lopez (Argentina) e Maria de Fátima Fernandes (Cabo Verde). 

Além disso, durante o evento, teremos performances, como a de Ricardo Aleixo, além de oficinas de vários temas legais, como texto teatral, criação de personagens e livros de artista. Abaixo, deixo links importantes para quem ficou interessado. 


Se tiver alguma dúvida, deixe um comentário que eu entro em contato. Nos vemos lá! 

[Thaís Diz] - A despedida do escritor


A despedida do escritor
Thaís Cabral Leocádio

quando um escritor se vai
eu fico triste, muito triste
mas a tristeza passa rápido
por saber que quem escreve não morre de verdade

sempre fica um pedacinho dele
na tinta colada no papel
ora gasto, sujo, marcado a lápis
ora imaculado nas prateleiras das livrarias
ora nas estantes das bibliotecas
onde um estudante esqueceu o bilhete do cinema
ou o papel da bala que ganhou do amor

o escritor vivo fica em outras linguagens
que se inspiraram na obra dele
fica vivo na lembrança
de quem se apegou aos personagens
e no carinho da criança que pega o livro
por acaso e descobre a história de 73
com olhar de novidade
sem saber que naquele ano
nem mesmo sua mamãe havia nascido

a saudade fica dolorida
para quem conheceu a pessoa atrás do escritor
que dizia palavras nem sempre trabalhadas
que pintava de cores descombinadas
os pijamas, as saladas e as dores
no dia a dia

para aqueles que conheceram um só lado do escritor
a saudade pode ser curada
virando uma página
escolhendo um marcador
olhando para o quintal e rememorando versos
talvez ligando na tomada
o leitor digital de vida
olhando para o que foi feito
de caneta e lápis-de-dor

quando um escritor se vai
eu fico triste, muito triste
por pensar que ele talvez
não tenha ficado sabendo
que no criado-mudo de muitos quartos
uma obra sua
em capa mole
cheia de orelhas
e ácaros
repousa a paz que o espírito humano
precisa experimentar antes de dormir

o escritor fica vivo
até nas linhas que deixou de escrever
porque quem passa por aqui
exalando poesia e arte
consegue um jeito - queria saber como! -
de continuar pulsando
como uma tatuagem em papel pólen
agarrada na memória


Ângela Lago, 1945-2017