[Resenha] - Livro: Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur
Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur
O livro "Outros jeitos de usar a boca", de Rupi Kaur, foi publicado no Brasil pela editora Planeta. O título original da obra, escrita em inglês, é "Honey and milk". Em 208 páginas, o leitor é convidado a sentir na pele as experiências da autora.

Divididos em "A dor", "O Amor", "A Ruptura" e "A Cura", os poemas da jovem são intensos, escritos de forma direta e cheios de emoção. Por todo o mundo, jovens se reaproximaram da poesia graças a esse livro. Os temas presentes nele são universais.

É difícil uma mulher não se identificar com pelo menos um dos textos que compõem a obra. Se em alguns momentos o livro é um abraço reconfortante, em outros ele é um soco no estômago.
 Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur
Capas do livro Outros jeito de usar a boca pelo mundo. (Foto: Rupi Kaur)

Há muita dor, muito conhecimento de si mesma e muita maturidade no que Rupi colocou neste livro. As ilustrações minimalistas são um charme à parte, reforçando a sensibilidade da escritora.

Ser mulher é uma experiência de beleza, luta e complexidade. Ver que uma de nós está vendendo milhões de cópias que falam sobre o universo feminino com certa brutalidade é um sopro de esperança. As coisas estão começando a mudar.
(Foto: @rdebiblioteca)
Rupi Kaur anunciou que vai lançar, no dia 3 de outubro, seu segundo livro ("The sun and her flowers"). Já estou ansiosa!

quero pedir desculpa a todas as mulheres
que descrevi como bonitas
antes de dizer inteligentes ou corajosas
fico triste por ter falado como se
alto tão simples como aquilo que nasceu com você
fosse seu maior orgulho quando seu
espírito já despedaçou montanhas
de agora em diante vou dizer coisas como
você é forte ou você é incrível
não porque eu não te ache bonita
mas porque você é muito mais do que isso

Avaliação:

[Resenha] - Livro: Papai!

Papai!, Philippe Corentin
Papai!, Philippe Corentin
Papai!”, grita o garotinho já na capa do livro escrito e ilustrado pelo francês Philippe Corentin. Em 32 páginas, editadas pela Cosac Naify, o leitor é convidado a entrar em uma bem humorada história sobre os pesadelos. A cor preta da capa e da contra capa situam o enredo na noite, antes mesmo de isso ser explicitado pelo texto (verbal e imagético).

Dormir sozinho pode ser difícil para muitas crianças. É comum que tenham medo e chamem pelos pais durante a noite. O livro “Papai!” começa com um garoto dormindo tranquilamente até ser acordado por algo estranho. Quando percebe que está acompanhado de um monstro verde na cama, fica assustado.

Papai!, Philippe CorentinOs dois personagens gritam “Papai!” ao mesmo tempo. A narrativa surpreende ao mostrar, na página seguinte, o pai do monstrinho e não o do garoto. Desse modo, a ilustração se mostra essencial na composição da obra, carregando sentidos que não poderiam ser apreendidos apenas pelo texto verbal.

Quando o pai monstro chega ao quarto, o monstrinho diz: “Pai! Pai! Tem um monstro na minha cama!”, apontando para o garoto deitado sob as cobertas. O pai diz ter sido apenas um pesadelo e leva o monstrinho para a sala, onde está a mãe dele. Depois de ser acalmado por ela, o pequeno volta para a cama.

Então, humano e monstro acordam assustados novamente e, dessa vez, é o pai do garoto quem vai ver o que há de errado. “Pai! Pai! Tem um monstro na minha cama!”, diz agora o garotinho.

Essa brincadeira com o diferente é o que torna a obra especial. Ao mesmo tempo em que se aproxima de um problema da infância (dormir longe dos pais), traz elementos ficcionais que mexem com o imaginário do leitor. Essa dualidade é apresentada por Bernardo (2005) como indício de uma boa ficção que, segundo ele, não pode ter tudo a ver com a realidade, nem tudo a ver com o leitor.

O final encanta ao reforçar que não é preciso temer o desconhecido.
Dados do livro
Corentin, Philippe [1936-]
Papai!: Philippe Corentin
Título original: Papa!
Tradução: Cássia Silveira
Ilustrações do autor
São Paulo: Cosac Naify, 2008, 2ª edição
32 pp. ilustradas
ISBN 978-85-405-0752-4
Monstrinho sendo acalmado pela mãe. Ilustração da página 13 do livro Papai!, de Philippe Corentin

[Convite] - Lançamento: Livro Rastros de Mentiras e Segredos

Boa noite, ratinhos!

Gostaria de convidá-los para o lançamento do livro "Rastros de Mentiras e Segredos", escrito por Cleudene Aragão, Inês Cardoso, Maria Thereza Leite, Ruth de Paula e Vânia Vasconcelos. A coletânea de contos é a segunda obra assinada pelas cinco autoras, também responsáveis por "Quantas de nós".

Em Belo Horizonte, a obra será lançada no encerramento do IX Colóquio Mulheres em Letras, organizado pela Professora Constância Duarte.

A sessão de autógrafos está marcada para o dia 2 de junho, das 19h às 20h30, no auditório 1007 da Faculdade de Letras (Fale) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Vamos ler mulheres!


[Resenha] - Conto: To be or not to be, Machado de Assis

Machado de Assis
Machado de Assis 
O suicídio é um tema delicado e tem levantado discussões entre os jovens desde o lançamento da série "13 Reasons Why" ("Os 13 Porquês"), da Netflix, em março deste ano. Com o sucesso do seriado estadunidense, o livro homônimo que deu origem a ele, escrito por Jay Asher e publicado em 2007, figura nas listas dos mais vendidos.

Mas o tema não é novidade na ficção não! "To be or not to be", um conto escrito por Machado de Assis, em 1876, também fala de suicídio. No entanto, em vez de descrever as razões pelas quais uma pessoa se matou, o texto mostra os motivos que fizeram o protagonista - decidido a tirar a própria vida - mudar de ideia.

A estagnação na carreira e a falta de perspectivas levaram André, um homem de 27 anos, a planejar se matar. Ele ficou abalado por não ter conseguido uma sonhada promoção e, acreditando ser um fracasso, pegou uma barca com a intenção de se lançar ao mar.
"Mas André Soares que, estando com os olhos pregados no chão a rememorar os seus infortúnios, deu com os olhos num dos pés da velada desconhecida.
Estremeceu.
André Soares resistia a tudo neste mundo, a uns olhos brilhantes, a um rosto adorável, a uma cintura de anel; não resistia a um pé elegante"
Ao descobrir em Cláudia - a dona do pé elegante - uma paixão, André resolveu adiar seu terrível plano para ter a chance de conhecê-la. O pensamento fúnebre deixou de lhe ocorrer e o homem passou a ter outras ocupações e interesses além da vida profissional. O leitor, então, é lançado às piadinhas e às descrições de Machado de Assis que, com ironia, trata de assuntos atemporais.

Na ausência de um pedido formal de casamento, a jovem não se considerava comprometida. Ingênuo e apaixonado, André Soares foi deixando de ter controle sobre a conquista e, tendo que agradar a um potencial cunhado, perdeu dinheiro e tempo.

O título do conto é uma alusão à clássica frase de Hamlet, de William Shakespeare. "Ser ou não ser? Eis a questão". A moral da história retoma o tema suicídio. Para o narrador - onisciente e ácido - os motivos que levam alguém à dar fim à própria vida vêm mais de dentro do que de fora. Será mesmo?

A obra de Machado de Assis pode ser baixada no site Domínio Público. O conto "To be or not to be" também está disponível para download gratuito na Amazon.