[Resenha] - Conto: To be or not to be, Machado de Assis

Machado de Assis
Machado de Assis 
O suicídio é um tema delicado e tem levantado discussões entre os jovens desde o lançamento da série "13 Reasons Why" ("Os 13 Porquês"), da Netflix, em março deste ano. Com o sucesso do seriado estadunidense, o livro homônimo que deu origem a ele, escrito por Jay Asher e publicado em 2007, figura nas listas dos mais vendidos.

Mas o tema não é novidade na ficção não! "To be or not to be", um conto escrito por Machado de Assis, em 1876, também fala de suicídio. No entanto, em vez de descrever as razões pelas quais uma pessoa se matou, o texto mostra os motivos que fizeram o protagonista - decidido a tirar a própria vida - mudar de ideia.

A estagnação na carreira e a falta de perspectivas levaram André, um homem de 27 anos, a planejar se matar. Ele ficou abalado por não ter conseguido uma sonhada promoção e, acreditando ser um fracasso, pegou uma barca com a intenção de se lançar ao mar.
"Mas André Soares que, estando com os olhos pregados no chão a rememorar os seus infortúnios, deu com os olhos num dos pés da velada desconhecida.
Estremeceu.
André Soares resistia a tudo neste mundo, a uns olhos brilhantes, a um rosto adorável, a uma cintura de anel; não resistia a um pé elegante"
Ao descobrir em Cláudia - a dona do pé elegante - uma paixão, André resolveu adiar seu terrível plano para ter a chance de conhecê-la. O pensamento fúnebre deixou de lhe ocorrer e o homem passou a ter outras ocupações e interesses além da vida profissional. O leitor, então, é lançado às piadinhas e às descrições de Machado de Assis que, com ironia, trata de assuntos atemporais.

Na ausência de um pedido formal de casamento, a jovem não se considerava comprometida. Ingênuo e apaixonado, André Soares foi deixando de ter controle sobre a conquista e, tendo que agradar a um potencial cunhado, perdeu dinheiro e tempo.

O título do conto é uma alusão à clássica frase de Hamlet, de William Shakespeare. "Ser ou não ser? Eis a questão". A moral da história retoma o tema suicídio. Para o narrador - onisciente e ácido - os motivos que levam alguém à dar fim à própria vida vêm mais de dentro do que de fora. Será mesmo?

A obra de Machado de Assis pode ser baixada no site Domínio Público. O conto "To be or not to be" também está disponível para download gratuito na Amazon.

[Resenha] - HQ: Horacic Park

Boa tarde, ratinhos!

Recebi nesta semana a HQ "Horacic Park", da Turma da Mônica, publicada pela Panini Books. O dinossauro Horácio, criado por Mauricio de Sousa, é o destaque dessa coletânea que brinca com o filme "Jurassic Park". As histórias "Horacic Park", "Imundo Perdido" e "Horacic Park III" compõem a obra, que faz parte da coleção "Clássicos do Cinema - Turma da Mônica".

Com miolo em papel couché, a HQ tem 144 páginas, capa dura e lombada quadrada. Esse formato de luxo comemora as mais de 50 edições já publicadas de paródias de filmes protagonizadas pelos heróis da turminha.

Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Maurício de Sousa (que aparece como personagem!) precisam enfrentar os planos mirabolantes do Capitão Feio. Em "Horacic Park", os dinossauros voltam à vida graças a uma sofisticada tecnologia desenvolvida pelo cientista Franjinha.

Além das aventuras que formam a trilogia jurássica, o livro traz dez páginas com imagens de artes, esboços e curiosidades. O lançamento do próximo volume encadernado está previsto para julho. Qual será o filme clássico desta vez?

Como não gostar da Turma da Mônica?
* cortesia da editora 

[Resenha] - Livro: Profissões para mulheres e outros artigos feministas

Profissões para mulheres e outros artigos feministas, Virgínia Woolf
Profissões para mulheres e outros artigos feministas, Virgínia Woolf
Se hoje nós, mulheres, enfrentamos preconceito e perseguições no mercado de trabalho, imagine no século passado? O livro "Profissões para mulheres e outros artigos feministas", publicado pela L&PM, traz um apanhado de textos de Virgínia Woolf (1882-1941) sobre ser mulher em um mundo dominado por homens.

A obra é formada por sete ensaios escritos pela conhecida romancista. Um deles, inclusive, foi apresentado pela autora como discurso em um evento feminino. O destaque é a inserção da mulher no mercado de trabalho.

Infelizmente, as reflexões continuam pertinentes em 2017. Por que temos sempre atrás de nós o espírito do "anjo do lar" que nos impede de exercitar nossas capacidades ao máximo? Dizemos que somos livres, mas cobranças e crenças nos aprisionam.

Diante das resenhas literárias de Woolf presentes neste livro de bolso, senti vontade de colocar fogo em tudo o que já escrevi e chamei de resenha na vida. A inteligência e a habilidade da escritora para falar de livros me deixaram em êxtase. Ela criticava o machismo com ironia e pulso firme.

Depois de terminar esta leitura, fiquei curiosa para conhecer outros trabalhos de Virgínia. Estou lendo o romance "As Ondas", mas estou achando muito difícil. Se alguém já tiver lido um destes dois, ficarei feliz em discuti-los.

Beijo grande e até o próximo post!

[Resenha] - Livro: Angélica

Angélica, Lygia Bojunga
Angélica, Lygia Bojunga
Resumo

O livro "Angélica", escrito por Lygia Bojunga e publicado pela editora Agir, conta a história de uma cegonha que cansou de viver uma mentira. A obra possui 96 páginas e ilustrações de Vilma Pasqualini.

Ela descobriu, bem jovem, que as cegonhas não são responsáveis por trazer bebês ao mundo e isso a abalou profundamente.

Inconformada, quis saber dos pais por que é que eles mantinham essa ilusão. A família disse que não podia abrir mão do respeito e do status que essa história dava às cegonhas.

Ela decidiu morar no Brasil, pois soube que no país não havia cegonhas. Mas o mito dos bebês existe mesmo tão longe de casa! Ela fez amizade com um porco chamado Porto (que trocou o "c" de seu nome por um "t" para tentar fugir do que era naturalmente). Os dois montaram, juntos, uma peça de teatro com a história de Angélica.

Os atores contratados pela dupla são animais desempregados, como um elefante, um casal de crocodilos e um sapo com seus filhinhos. A narrativa é divertida e traz aspectos muito interessantes sobre autonomia, coragem, bullying e feminismo.

Ilustração do livro Angélica, de Lygia Bojunga. Crédito: Catedra Unesco de Leitura PUC-Rio

Opinião

Que livro mais lindinho! Fiquei impressionada com o quanto o feminismo está presente na obra, escrita em 1975. Parece que hoje os autores para crianças não têm essa mesma coragem. O empoderamento feminino está nas entrelinhas, com personagens femininas bem construídas e encantadoras. Para mim, o mais marcante foi a personagem secundária "mulher do crocodilo Jota".

Ela aparece nomeada assim em boa parte da história, como se fosse um acessório do crocodilo. A crescente transformação desta personagem - que chega ao ápice na última página do livro - me chamou atenção. (Não escrevi o nome dela aqui de propósito, ok? rs)

A amizade entre a cegonha Angélica e o porco Porto é demais. E até mesmo a família da protagonista é fofa e dá para perceber que eles se preocupam com ela, mesmo achando Angélica muito diferente dos demais. Peguei o livro na biblioteca por causa do título - é o nome da minha mãe - e foi uma grata surpresa. (Não muito surpreendente porque é Lygia Bojunga, né?)

Avaliação


Beijo e até o próximo post! ♥