[Resenha] - Livro: Angélica

Angélica, Lygia Bojunga
Angélica, Lygia Bojunga
Resumo

O livro "Angélica", escrito por Lygia Bojunga e publicado pela editora Agir, conta a história de uma cegonha que cansou de viver uma mentira. A obra possui 96 páginas e ilustrações de Vilma Pasqualini.

Ela descobriu, bem jovem, que as cegonhas não são responsáveis por trazer bebês ao mundo e isso a abalou profundamente.

Inconformada, quis saber dos pais por que é que eles mantinham essa ilusão. A família disse que não podia abrir mão do respeito e do status que essa história dava às cegonhas.

Ela decidiu morar no Brasil, pois soube que no país não havia cegonhas. Mas o mito dos bebês existe mesmo tão longe de casa! Ela fez amizade com um porco chamado Porto (que trocou o "c" de seu nome por um "t" para tentar fugir do que era naturalmente). Os dois montaram, juntos, uma peça de teatro com a história de Angélica.

Os atores contratados pela dupla são animais desempregados, como um elefante, um casal de crocodilos e um sapo com seus filhinhos. A narrativa é divertida e traz aspectos muito interessantes sobre autonomia, coragem, bullying e feminismo.

Ilustração do livro Angélica, de Lygia Bojunga. Crédito: Catedra Unesco de Leitura PUC-Rio

Opinião

Que livro mais lindinho! Fiquei impressionada com o quanto o feminismo está presente na obra, escrita em 1975. Parece que hoje os autores para crianças não têm essa mesma coragem. O empoderamento feminino está nas entrelinhas, com personagens femininas bem construídas e encantadoras. Para mim, o mais marcante foi a personagem secundária "mulher do crocodilo Jota".

Ela aparece nomeada assim em boa parte da história, como se fosse um acessório do crocodilo. A crescente transformação desta personagem - que chega ao ápice na última página do livro - me chamou atenção. (Não escrevi o nome dela aqui de propósito, ok? rs)

A amizade entre a cegonha Angélica e o porco Porto é demais. E até mesmo a família da protagonista é fofa e dá para perceber que eles se preocupam com ela, mesmo achando Angélica muito diferente dos demais. Peguei o livro na biblioteca por causa do título - é o nome da minha mãe - e foi uma grata surpresa. (Não muito surpreendente porque é Lygia Bojunga, né?)

Avaliação


Beijo e até o próximo post! ♥ 

[Thaís Diz] - Relendo Harry Potter

Bom dia, ratinhos!

Quem nos segue lá no Instagram viu que estou relendo Harry Potter. Minha meta é reler a série toda durante 2017. Pelo ritmo em que a coisa anda, vou atingir meu objetivo mais cedo do que pensei. Ontem à noite, (re)comecei o terceiro livro ("Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban", meu preferido!) e quis falar um pouco dessa experiência.
Edição ilustrada de "Harry Potter e a Pedra Filosofal" e marcador de páginas feito por mim em ponto cruz.

Vira-tempo ♥
Meu encantamento pelo texto de J. K. Rowling continua gigante, como se estivesse abrindo os livros pela primeira vez. Diante das aventuras dos personagens, não vejo diferença entre a adolescente que se debruçava sobre os livros emprestados por horas a fio e a mulher que hoje pega o Kindle nos minutinhos que tem entre as atividades do dia a dia.

A releitura tem me feito observar que os detalhes são realmente muito bem amarrados desde o primeiro livro. Coisas em "Harry Potter e a Pedra Filosofal" e "Harry Potter e a Câmara Secreta" serão explicadas só lá na frente e isso é muito, muito legal!

Em meio a uma crise de ansiedade, segurei o e-reader e as palhaçadas de Fred e Jorge me fizeram rir. Uma cena ridícula, pensei. Mas eu precisava tanto daquilo! Se, anos atrás, os livros sobre o mundo mágico eram uma forma de fugir da realidade de bullying e sofrimento causados por colegas da escola, hoje eles estão me salvando de mim mesma.

De toda forma...
"Não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver."
- Alvo Dumbledore, em "Harry Potter e a Pedra Filosofal"

[Reportagem] - Síndrome de Down, inclusão e autonomia

Oi, ratinhos! Hoje, dia 21 de março, é comemorado o Dia Internacional da conscientização e celebração da síndrome de Down. No ano passado, escrevi uma reportagem sobre o tema para uma revista aqui de BH. Foi, sem dúvida alguma, a matéria que mais me fez pensar e evoluir como profissional. As entrevistas foram marcantes e também aprendi muito sobre a parte técnica da produção (quais termos usar e quais não usar, por exemplo). Agradeço imensamente às famílias que concordaram em dividir essas histórias comigo e espero que vocês se encantem tanto quanto eu! Abaixo, segue a matéria completa. Boa leitura! :)

Síndrome de Down, inclusão e autonomia
Conheça famílias que lutam pelo respeito à diversidade
por Thaís Leocádio
Antônio, Carol, Thomas e Alice, em 2015. Foto: Arquivo pessoal


Eduardo Gontijo é multi-instrumentista, tem 25 anos, faz teatro, dança, está em duas bandas e dá palestras pelo Brasil. Theo Dariva Lara tem seis anos, é curioso, adora livros e mal vê a hora de aprender a ler. Alice Rivello Ventura de Souza tem quatro anos, gosta de ver desenho animado, é gentil e engraçada. Os três têm síndrome de Down e famílias que lutam pela inclusão.

De acordo com o último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,2% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. A síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de um cromossomo 21 extra que determina características físicas e cognitivas específicas. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 270 mil brasileiros apresentam a trissomia do 21.
Dudu do Cavaco é multi-instrumentista. Foto: @keldepaulafotografia
Dudu do Cavaco, como Eduardo Gontijo é conhecido, se interessa por música desde cedo. “Eu comecei a tocar cavaquinho vendo meu primo Igor, fui observando a mão dele e eu quis saber cada vez mais sobre mais o cavaquinho. Hoje eu vivo da música e amo o que eu faço”, afirmou o artista, que toca mais outros seis instrumentos.

Leonardo Gontijo teve a vida transformada pela chegada do irmão. “Aquela troca de olhares mudou a minha vida, me mostrou o quanto eu era limitado, seletivo e preconceituoso”, contou o professor e consultor na área de sustentabilidade. O amor por Dudu e o desejo de construir uma sociedade menos desigual inspiraram Leonardo a criar o projeto Mano Down, em Belo Horizonte, no ano passado.

O objetivo do instituto é contribuir para que pessoas com síndrome de Down conquistem a autonomia e possam ser donas de suas escolhas. Entre as ações desenvolvidas pelo Mano Down estão aulas (de música, teatro, dança, capoeira e zumba), acolhimento familiar, capacitação para o mercado de trabalho e palestras.

No quinto mês de gestação, o médico de Angela Dariva Lara desconfiou que o bebê dela poderia ter uma síndrome, devido a uma deficiência no coração. Receber a confirmação não foi fácil. “Me fiz aquelas perguntas que sempre fazemos diante de problemas: ‘Por que eu?’, ‘Eu não mereço isso, mereço?’ Mas passou. Porque tudo passa”, lembrou Angela.

Ela, o marido Marco Tulio Lara (guitarrista do Jota Quest) e o filho mais velho João Marcos tiveram, então, alguns meses para se prepararem para a chegada do Theo. “Pesquisei em fontes seguras, com profissionais competentes, pediatras, cardiopediatras, obstetras”, disse Angela.

Hoje, Theo estuda em uma escola inclusiva e faz atividades extraclasse, como equoterapia, natação e acompanhamento com uma psicopedagoga. “Ele é a única pessoa que tira o irmão de 12 anos da frente do computador, sem reclamações. Só ele consegue esse milagre!”, brincou a mãe.

Theo Dariva Lara é curioso e adora livros. Foto: Kely Aguiar
Segundo Angela, a família colhe o que pais precursores lutaram para conquistar para seus filhos com deficiência. “Theo é a pessoa mais feliz que nós já vimos – e olha que conheço muita gente! (risos) Adora pessoas, passear, festas de aniversário. Ele ama viver em comunidade”, descreveu Angela.

A designer gráfico e ilustradora Carol Rivello é mãe da Alice e do Antônio (1 ano e 9 meses). Ela e o marido Thomas Ventura de Souza moram em Florianópolis (SC) e descobriram que a primeira filha tinha síndrome de Down um dia após o nascimento da menina. “Foi um momento muito difícil, onde parecia que o chão havia sumido”, disse Carol.

Eles nem esperaram o resultado oficial dos exames e já deram a notícia para toda a família. “Logo todos já estavam encantados pela pequena e percebendo que muitos dos medos eram, na realidade, preconceitos ultrapassados”, completou. Carol criou o blog “Nossa vida com Alice”, onde compartilha reflexões, informações pertinentes e histórias de outras famílias.

Alice, assim como Theo, estuda em uma escola regular. Ela faz acompanhamento com profissionais como optometristas, naturopatas, osteopatas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. Quando está com o irmão caçula, a farra é garantida! “Me sinto privilegiada em testemunhar esse carinho sendo construído aos poucos dia após dia”, comentou Carol.

Dentro do blog, a designer gráfico compartilha projetos de “faça você mesmo”, na série “Estimular é um barato!”. A ideia é mostrar que coisas acessíveis do dia a dia podem ser úteis em brincadeiras e atividades de estimulação. “Faço porque acredito que a criança merece brincar, se divertir, experimentar, crescer em um ambiente rico e favorável para seu desenvolvimento”, explicou.

Inclusão efetiva

Angela Dariva acredita que aceitar as diferenças de uma forma natural é essencial para a verdadeira inclusão. “Somos todos diferentes. Nós não temos as mesmas capacitações e nunca teremos, mas todos temos coisas boas e ruins. Quanto mais convivermos com as diferenças, principalmente nossas crianças, mais isso será tratado com normalidade”, defendeu a mãe do Theo.

Segundo Carol Rivello, o que falta é acreditar, oportunizar, viabilizar. “Entender que as pessoas com síndrome de Down são capazes de estudar, trabalhar, participar ativamente da sociedade”, completou a designer gráfico. “Costumo falar que não existe um ‘curso de diversidade’, precisamos conviver para aprender”, reforçou Leonardo Gontijo.

Para os pais que estão recebendo agora a notícia de que têm um filho com síndrome de Down, o conselho das três famílias é o mesmo: amor. “Talvez ele precise de maior atenção médica e com certeza se beneficiará de estimulação precoce, mas a realidade da pessoa com síndrome de Down é bem diferente da de décadas passadas e está evoluindo cada vez mais”, disse Carol.

“Ele vai mostrar coisas maravilhosas em pequenos atos, vai desenvolver em vocês um amor verdadeiro ao próximo, vai simplificar coisas que antes vocês não entendiam”, comentou Angela. “Abram o coração para um novo mundo de aprendizados e possibilidades e contem com o Mano Down para o que precisarem”, finalizou Leonardo Gontijo.

Links úteis:
Blog Nossa Vida com Alice
Canal Nossa Vida com Alice no YouTube
Projeto Mano Down
Site do artista Dudu do Cavaco

[Resenha] - Livro: Fangirl, Rainbow Rowell

Resumo 
Ter uma irmã gêmea e compartilhar com ela uma paixão por um personagem de literatura deve ser o máximo, né? E é. Até que chega a hora de ir para faculdade. Cath é a protagonista do livro "Fangirl", 424 páginas, escrito por Rainbow Rowell, e publicado pela editora Novo Século. A jovem escreve fanfics sobre Simon Snow - um sucesso da literatura jovem - e divide esse hobby com Wren.

A mãe das gêmeas abandonou as duas ainda muito pequenas, deixando a responsabilidade toda para o pai, um publicitário deprimido e solitário.

As duas vão para a mesma universidade, mas Wren já se sente adulta, enquanto Cath permanece apegada ao vício em Simon Snow. Enquanto Wren não quer nem mesmo dividir o dormitório com Cath, a irmã tímida tem dificuldade de fazer amigos.

Nesse cenário de dúvidas e inseguranças, Cath pensa em desistir dos estudos, mas aos poucos vai encontrando o seu lugar. Ela começa a fazer dupla de trabalho com Nick e percebe que escrever é mesmo o seu dom.

Depois de dividir o quarto com Wren por toda a vida, ter Reagan como colega de dormitório é um choque. A menina com personalidade forte e visual chamativo é cheia de atitude e bom humor. Levi - que Cath pensa ser namorado de Reagan - acaba fazendo muitas visitas ao dormitório delas. O garoto é um sopro de vida em meio a sua vidinha constante.

Amadurecimento é a palavra que define a jornada de Cath na universidade. Conhecer pessoas com comportamentos tão diferentes dos seus faz com que a jovem compreenda melhor quem é ela mesma.
Opinião
"Fangirl" é um desses livros leves em que a leitura é super rápida, sabe? As confusões e as dúvidas de Cath são bem comuns no início da vida adulta e isso provoca uma aproximação com o leitor. Wren é a gêmea descolada e Cath é o oposto disso. Essas diferenças são legais de observar. Achei Levi um personagem "real", se comparado com outros mocinhos da literatura jovem. Esse foi o único livro escrito por Rainbow Rowell que li, mas pretendo ler outros. 
Avaliação


Alguém já leu alguma coisa da autora? Tem outro título dela para me indicar?

Beijo e até o próximo post!

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