[Resenha] - Filme: Medianeras - Buenos Aires na Era do Amor Virtual

Normalmente, filmes nos apresentam músicas. Você assiste ao filme e a trilha sonora te encanta de alguma maneira. Comigo, com Medianeras - Buenos Aires na Era do Amor Virtual, aconteceu o contrário. Achei na internet, aleatoriamente, a música True Love Will Find You In The End, de Daniel Johnston. Nos comentários do site de letras, estavam várias pessoas falando sobre como tinham ido parar ali por causa de "Medianeras". Por ter gostado tanto da música, resolvi assistir - e estou encantada até hoje.

O filme foi lançado em 2011, com direção de Gustavo Taretto. A história começa com uma análise de Buenos Aires. Os prédios, o crescimento desordenado, os fios, a vista tampada, a hierarquia dos apartamentos, a falta de espaço, de luz, de contato. A tecnologia que aproxima e que afasta. Tantas pessoas tão próximas e, ao mesmo tempo, tão ridiculamente distantes umas das outras.

Então, o primeiro narrador se apresenta: Martin. Ele nos conta sua história naquela cidade, sua relação com ela, suas dificuldades, temores, gostos. Cada detalhe é explorado, e é como se fôssemos amigos de infância daquele personagem. Conhecemos sua casa, sua cachorrinha, seu trabalho, sua rotina. Depois, somos apresentados a Mariana, a segunda narradora. Ela também nos expõe cada aspecto de sua realidade - o fim de um relacionamento longo, a fobia de elevadores, o pequeno apartamento.

A imagem se forma como um quebra-cabeça: Martin e Mariana. Duas pessoas solitárias que, juntas, provavelmente dariam muito certo. Ambos vivem em Buenos Aires e seus caminhos se cruzam diversas vezes, sem que, contudo, eles se conheçam.

O filme é delicado, sutil e muito intenso. Ele explora a alma humana, as particularidades de cada um, os medos, os sonhos, as vontades. E, além disso, ele faz uma análise excelente da "Era do Amor Virtual", das grandes cidades, dos relacionamentos e da solidão.


Medianeras entrou de forma definitiva para minha lista de filmes favoritos. É um filme que vale a pena ser visto! /amei


[Resenha] - Livro: Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur
Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur
O livro "Outros jeitos de usar a boca", de Rupi Kaur, foi publicado no Brasil pela editora Planeta. O título original da obra, escrita em inglês, é "Honey and milk". Em 208 páginas, o leitor é convidado a sentir na pele as experiências da autora.

Divididos em "A dor", "O Amor", "A Ruptura" e "A Cura", os poemas da jovem são intensos, escritos de forma direta e cheios de emoção. Por todo o mundo, jovens se reaproximaram da poesia graças a esse livro. Os temas presentes nele são universais.

É difícil uma mulher não se identificar com pelo menos um dos textos que compõem a obra. Se em alguns momentos o livro é um abraço reconfortante, em outros ele é um soco no estômago.
 Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur
Capas do livro Outros jeito de usar a boca pelo mundo. (Foto: Rupi Kaur)

Há muita dor, muito conhecimento de si mesma e muita maturidade no que Rupi colocou neste livro. As ilustrações minimalistas são um charme à parte, reforçando a sensibilidade da escritora.

Ser mulher é uma experiência de beleza, luta e complexidade. Ver que uma de nós está vendendo milhões de cópias que falam sobre o universo feminino com certa brutalidade é um sopro de esperança. As coisas estão começando a mudar.
(Foto: @rdebiblioteca)
Rupi Kaur anunciou que vai lançar, no dia 3 de outubro, seu segundo livro ("The sun and her flowers"). Já estou ansiosa!

quero pedir desculpa a todas as mulheres
que descrevi como bonitas
antes de dizer inteligentes ou corajosas
fico triste por ter falado como se
alto tão simples como aquilo que nasceu com você
fosse seu maior orgulho quando seu
espírito já despedaçou montanhas
de agora em diante vou dizer coisas como
você é forte ou você é incrível
não porque eu não te ache bonita
mas porque você é muito mais do que isso

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