[Resenha] - Livro: Um útero é do tamanho de um punho

O livro "Um útero é do tamanho de um punho", escrito por Angélica Freitas e editado pela Cosac Naify, reúne poesias que dizem muito sobre ser mulher.

Fui atraída pelo título e imaginei que o conteúdo da obra fosse diferente - um feminismo mais "didático" - e me vi diante de relatos cotidianos, frases fortes e bem pessoais. Os 35 poemas me fizeram pensar sobre a pressão que existe sobre nós, mulheres, e a importância de nos mantermos unidas.

Em alguns momentos, a identificação com o que estava escrito no livro foi tão intensa que tive a sensação de ter levado um soco no estômago. Aprendi mais sobre mim e sobre os meus sentimentos.

A ausência de letras maiúsculas e de rimas me chamou a atenção. Leio poucos livros de poesia e os que costumo ler seguem estruturas menos livres. Acredito que esses detalhes me aproximaram ainda mais da obra, como se as histórias tivessem sido contadas por uma amiga.

Avaliação: 

"a mulher é uma construção
deve ser
a mulher basicamente é pra ser
um conjunto habitacional
tudo igual
tudo rebocado
só muda a cor
particularmente sou uma mulher
de tijolos à vista
nas reuniões sociais tendo a ser
a mais mal vestida
digo que sou jornalista"

trecho de "a mulher é uma construção"

+ Leia também a resenha publicada pela Carol Marques na Alpaca 

[Resenha] - Livro: Diário de Pilar na África

A Zahar publicou mais um Diário de Pilar! 
(Nós já resenhamos "Diário de Pilar em Machu Picchu" por aqui). 
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Clique para ampliar.
O livro "Diário de Pilar na África", escrito por Flávia Lins e Silva e ilustrado por Joana Penna, traz mais uma história da aventureira Pilar.

Dessa vez, a garota e seu mais-que amigo Breno pulam na rede mágica e vão parar no continente africano, na época da escravidão. Lá, eles visitam países como a Nigéria e a República dos Camarões.

A dupla, assim que chega à África, conhece Fummi, uma bela princesinha iorubá. Eles são convidados pela família dela para uma grande festa e aprendem um pouco sobre a religião e os costumes daquele povo.

Fummi, princesa do povo iorubá e nova amiga de Pilar
Porém, algo terrível acontece. Os pais da princesa são levados por homens que escravizam outros homens. O trio, então, dá início a uma viagem de resgate, indo atrás dos navios negreiros.

Tentando consolar a nova amiga, Pilar permanece otimista e se esforça ao máximo para reunir aquela família. Na missão, os personagens contam com a ajuda de outras pessoas corajosas e, também, de um elefante. Ah, sem esquecer o Samba, o gatinho da Pilar.

O livro possui páginas que apresentam explicações didáticas sobre expressões, figuras históricas, países e animais.

Será que Fummi conseguirá reencontrar seu povo?

Diário de Pilar na África
Opinião: O livro faz parte de uma série. Pilar já viajou para diversos países em sua rede mágica. O modo com que a autora construiu essa personagem é encantador. Pilar é criativa, curiosa, inteligente e muito sensível. Em meio ao horror da escravidão, a história de "Diário de Pilar na África" possui elementos que valorizam o companheirismo, a coragem e a amizade.  Para muitas pessoas, ao ler "África", o que vem em mente é um grupo homogêneo. Na obra, a grandeza do continente e sua pluralidade ficam em evidência. Diversos países e grupos compõem aquela terra! Uma coisa que não gostei muito é que o ritmo do livro parece mudar bruscamente no final da história... Como se o desfecho viesse rápido demais, sabe? Mas gostei de todo o resto. As ilustrações são maravilhosas. Leitura recomendada, principalmente se acompanhada de uma conversa com as crianças sobre o que foi a escravidão e os reflexos que ela deixa em nossa sociedade.
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A obra é publicada pelo selo Pequena Zahar. No site da editora, existem mais informações sobre o livro. Navegue por algumas páginas:
Saiba mais:
[Resenha] - Livro: Diário de Pilar em Machu Picchu

[Resenha] - Livros: Destrua este diário em qualquer lugar e O mundo imaginário de...

Olá leitores! Essa semana recebemos um presente muito especial da Editora Intrínseca: os livros Destrua este diário em qualquer lugar O mundo imaginário de...









Destrua este diário em qualquer lugar
Depois de entreter milhões de pessoas ao redor do mundo com tarefas lúdicas que fogem do convencional, Keri Smith lança Destrua este diário em qualquer lugar.

Com instruções simples e bem-humoradas, atividades novas e algumas das páginas mais famosas do volume original, esse novo livro tem o formato perfeito para ser levado para qualquer lugar! Uma celebração da criatividade, da imperfeição e da exploração.

Mergulhe em um mundo de rascunhos, anotações aleatórias, cores e, o melhor de tudo, de destruição, em que lápis de cera, canetinha, giz, adesivos e muita imaginação são as suas mais valiosas ferramentas.

A proposta de Keri é estimular a criatividade e questionar as convenções, com a bandeira de que o perfeccionismo tão exaltado na nossa cultura é na verdade um grande empecilho do processo criativo. A palavra de ordem é esculhambar a monotonia e o lugar-comum para que o novo possa surgir com toda a força.









O mundo imaginário de...
Imaginar algo melhor e mais interessante é o que faz de nosso mundo um lugar de constante transformação. Alguns dos maiores atos revolucionários de nossos tempos aconteceram porque alguém teve coragem de pensar diferente.

Em O mundo imaginário de..., Keri Smith pede que o leitor crie um mundo completamente novo e inusitado. Primeiro, ela sugere listas: coisas amadas, coleções, cores, formas, ideias, pessoas e criaturas das mais fascinantes. Elencados nas páginas do livro, esses itens serão as pedras fundamentais do seu lar imaginário. Daí para a frente, as tarefas não param mais: construir paisagens, inventar nomes, bolar mapas, moeda, conceber habitantes, marcas, comidas, história e muito, muito mais.

Mais uma contribuição de Keri Smith às mentes criativas deste mundo, para artistas e sonhadores de todas as idades que vão revolucionar o cotidiano com todas as infinitas possibilidades de seus mundos imaginários.

E vocês, gostam de livros interativos? Mal vejo a hora de começar a destruir os meus! ♥  

[Entrevista] - Bruno Couto


Bruno Couto é um carioca de 26 anos que nunca foi ao Pão de Açúcar. Ele é formado em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e sonha em ficar famoso para receber várias cartinhas de fãs. Já participou da equipe do Cabine Literária e, agora, faz vídeos para seu canal pessoal, Um Rinoceronte.


O leitor 

1. Qual o livro despertou seu gosto pela leitura e quando foi isso?
Essa pergunta é muito estranha, porque eu sempre li muito, mas não por gosto. Minha adolescência inteira foi sempre "ler por ler". Nessa fase, eu já lia muito Dan Brown, revista de videogame e Scott F. Gerald.

Por isso, eu considero que eu não tinha "gosto" pela leitura. Em oposição, eu consigo lembrar de dois momentos em que ler foi um movimento prazeroso; quando li "Morangos Mofados" do Caio Fernando Abreu, e o livro "Os cem melhores contos da literatura brasileira" do Italo Moriconi.

O livro de Abreu, eu estava numa livraria muito interessado em começar a ler a obra dele, e um senhor disse pra mim "comece lendo 'Sargento Garcia' esse texto é um golpe certeiro, se você não sentir nada. Nem perca seu tempo lendo o resto." (Acho que não preciso deixar claro que o golpe foi certeiro).

O livro de Moriconi foi um divisor de águas, porque eu tava no início da faculdade, e precisava conhecer mais coisas, escritores e estilos novos, eu me encantei por esse livro por que eram 100 contos, contos são histórias em geral de 5 a 10 páginas, então se eu não gostar de um conto, o próximo salva o anterior. O problema foi que gostei da seleção do livro e tinha devorado suas 700 páginas como quem chupa sorvete na praia, nem ai para tempo e prazos.

2. Qual seu personagem favorito do universo literário?
O chapeleiro maluco é meu herói da literátura. A loucura é um tema que me interessa muito, tanto que minhas piadas estão sempre com esse viés de "o que as pessoas não esperam que aconteça" e o quê "realmente está para acontecer".

3. Qual o livro com que mais se identifica e por quê?
"Os dragões não conhecem o paraíso". É um livro angustiante que fala sobre silêncios nas relações de amor familiar, amor platônico, amor por sexo, amor por perda. Eu poderia aqui enumerar todos os estilos de amor que o livro de contos se trata. Mas, em geral, são todos em torno de amor, e não necessariamente terminam em felicidade como num filme amoroso da sessão da tarde. Por isso, tenho tanta consideração com esse livro, tem muita solidão retratada que me ajudou muito em como lidar com as pessoas ou questões com meu próprio corpo e/ou ao gesto simples de lidar com os desejos amorosos e carnais.

4. Um livro que foi adaptado para o cinema e você gostou.
"Ponte para Terabítia"! Um exemplo de arte que supera o livro. Geralmente a gente tem o hábito de dizer que nada supera o livro, nesse caso o livro não chega aos pés do filme.

5. Um livro que foi adaptado para o cinema e você detestou.
Ensaio sobre a cegueira.

6. Qual seu estilo literário preferido?
Contos fantasticos.

7. Qual o autor que mais admira?
Atualmente, eu ando encantado pela Ana Cristina Cesar. Eu não consigo entender como essa mulher conseguia tornar tanto conhecimento em algo simples do quotidiano.

8. Quantos livros leu em 2015? Qual o melhor até agora?
Esse ano li nove livros, e a melhor leitura até então tem sido "Brasil: Uma biografia", que meu Deus! É de tirar o fôlego! Tem me deixando angustiado de como tendemos aos mesmos vícios identitários ao lidarmos com nossos problemas.

9. Deixe uma citação, uma passagem de algum livro que seja especial para você.
"Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias. Bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce, e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira – quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja(mais do que) doce a voz ao falar ao telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão.
- Que seja doce. Que sejamos doce. E seremos, eu sei."
Caio Fernando Abreu - Os dragões não conhecem o paraíso.
O vlogueiro

1. Qual foi sua primeira experiência como youtuber?
Minha primeira experiência foi para o Cabine Literária. Nas férias do ano passado (2014), eu havia criado um texto de "como ler livros grandes". Danilo achou que ficaria bom sendo gravado em vídeo, fiquei meio desconfiado, mas ele me deu bastante apoio, e isso foi muito importante, além de ter aprendido muito com a confecção de vídeo e edição pelos toques que ele me deu, me sinto cria do Cabine Literária até hoje.

Eu nunca tinha me imaginado gravando vídeos para um canal no youtube, achava até algo menor, "ahh ele é o menino que faz vídeos para o youtube, que gracinha". O Danilo me deu a ideia, eu fiquei receoso no início, depois acabei aceitando. Usei o texto que tinha feito para o site como roteiro. E, pronto! Foram seis horas gaguejando na frente da câmera, com um amigo dizendo: "Anda!".
Imagina que tenho a língua presa, e a síndrome: meu-Deus-vai-TODO-MUNDO-ME-Sacanear-por-isso. E ninguém imaginaria: me sacanearam pelo áudio ruim, não pela minha língua presa (não é que meus doze anos de fonoaudióloga resultaram? Ninguém percebeu, ao menos não comentaram nos vídeos). E o legal da história toda é que o primeiro vídeo já passou dos 35 mil visualizações, isto é, a sub-celebridade que já está se preparando para se inscrever na Fazenda! (as inimigas piram)

2. Por que decidiu criar um canal pessoal?
Eu havia saído do Cabine por não conseguir dar conta de gravar vídeos toda semana, e, ainda estava me preparando para o mestrado. Minha rotina andava uma loucura! Esse ano consegui relaxar mais, e como fiz muitas amizades, por conta do Cabine, confesso que não tive uma hastag (#VoltaBruno), mas tive um carinho de gente que nem me conhecia pessoalmente me dando apoio para continuar, já que havia gostado muito da experiência no canal anterior comprei uma câmera e voltei.

3. Quais assuntos você aborda no canal?
Por enquanto, eu to tentando me adaptar ainda. O tema tem sido sobre cinema e literatura, que são minhas paixões, meu encanto. Mas penso em expandir, então quanto mais cresço com a edição, mais vão surgindo ideias para os próximos vídeos. Eu vou avançando com um passo de cada vez, estou sem pressa e com muitas pretensões, mas no meu ritmo. E, acredite: nada melhor na vida que ter seu próprio ritmo!

4. De todos os vídeos que você já fez, qual seu favorito?
O meu favorito foi o "Quem tem cacife pra falar sobre literatura?", um debate que a Tati Feltrin fez no canal dela, e eu achei super pertinente comentar sobre ele. Ainda tem gente que acha que literatura não é para todo mundo, imagina que bobagem e arrogância! Literatura é para todos!

Conheça mais o Bruno! (E mande cartinhas para ele)

[Resultado] - Sorteio: Pinóquio no País dos Paradoxos

Olá, leitores!

Saiu o resultado do sorteio do livro Pinóquio no País dos Paradoxos. Quem levará o livro para casa é a Lívia Vieira.

Parabéns, Lívia!

Lembrando que a vencedora tem 48h para responder o e-mail quem enviamos. Caso contrário, outra pessoa será sorteada.

Muito obrigada a todos que participaram! 

Beijo.