[Resenha] - Livro: Um bolinho é só o começo

Atenção: livro com conteúdo adulto (+18)

O livro "Um bolinho é só o começo", série Ame-me como sou, escrito por Ara Mystake, tem 156 páginas e conta a história de Fernanda, uma mulher que, por estar acima do peso, luta diariamente com os olhares de reprovação das outras pessoas. Apesar de passar a todos uma imagem de segurança e poder, Fernanda é cheia de complexos e sentimentos de inferioridade.

"Não precisava de aprovação de ninguém para caminhar livremente nele [mundo], para ser feliz vivendo nele."

Prefere ficar em casa, mas o aniversário de uma de suas melhores amigas exigiu dela que saísse em busca de um presente. Nessa ocasião, Fernanda conheceu Ricardo. A sintonia foi instantânea e Ricardo arriscou um convite para sair. Fernanda aceitou, sugerindo que fossem comer um bolinho.

Desde então, começaram um relacionamento repleto de carinho e, também, desejo. A autora traça o perfil do casal de uma maneira interessante, destacando a insegurança das duas partes. Enquanto Fernanda tem a encanação com o corpo, Ricardo a admira demais - tanto por conta da beleza, quanto da inteligência - e morre de ciúmes, sempre com medo de perdê-la. Muito apaixonados, constroem juntos uma história de amor, com cenas "picantes" bem detalhadas.

Opinião: Como vocês sabem, minha zona de conforto literária é infanto-juvenil. Portanto, ler um livro erótico foi uma experiência bem diferente do que estou acostumada. Achei a edição um pouquinho falha e encontrei alguns erros ortográficos, mas Ara Mystake tem um jeito envolvente de escrever, motivo pelo qual a leitura fluiu muito bem. Em poucas horas acabei o livro e fiquei torcendo para que tudo se ajeitasse na relação entre Fernanda e Ricardo. Os personagens "secundários" são bem construídos e me identifiquei com Josy, uma amiga de Fernanda que dá nomes próprios a todos os objetos (chaves, portas, carro, copo, etc).

* cortesia da autora

E vocês? Já leram livros nesse estilo?

[Thaís diz] - Uma carta para meu eu de 10 anos atrás

Esse texto foi escrito para a postagem coletiva do grupo Rotaroots - blogueiros de raiz. A ideia, inspirada pelo Hypeness, é fazer uma carta para o seu eu de dez anos atrás.  Estava muito emocionada enquanto escrevia, só eu sei como 2004 foi um ano de desafios para mim (ou para ela, a pequena Thaís).

Belo Horizonte, março de 2014.
Querida Thaís,

Se está lendo isso é porque conseguiu encontrar a carta que escondi atrás do quadrinho dos ursinhos carinhosos que você pintou na escola. Sim, sei que é atrás dele – na parede do quarto com duas camas, ambas com colchas da Minnie – que você guarda seu diário de capa azul. Perdoe-me por violar seu esconderijo.

Como Dorothy, em "O Mágico de Oz"
Não me pergunte como consegui chegar até aí, existem coisas que não podem ser explicadas. Antes que me esqueça, quem de cá escreve sou eu, Thaís. Uma Thaís dez anos mais velha que, embora esteja se coçando para revelar o que te aguarda, prefere ser sutil. Trago a você apenas uns pequenos avisos e alguns conselhos.

Para começar, essas mechas no seu cabelo, no maior estilo Vampira do X-Men, continuam sendo motivo de orgulho para mim. Hoje, quando vejo as fotos, dou muita risada, as pessoas que também as veem se divertem tanto quanto eu. Mas o fato de você ter tido coragem de fazê-las mostra que foi forte. A capacidade de não se importar com a opinião dos outros é algo que poucas vezes você manifestou.

Sei também que o motivo de ter se fechado foram as mágoas da infância – essa fase doce que agora vive e, embora repleta de amor, também te machuca. Gostaria que você soubesse que é linda! Tão pequena, com este rosto redondinho e estes olhos enormes. Os seus colegas não têm razão. Você não está errada por tirar boas notas, não há mal algum em continuar sendo criança! Embora eles se achem adultos e adorem comemorar quando você perde em alguma coisa, você, Thaís, é quem está certa. Não chore, não se odeie, não sofra. Tantas coisas boas te esperam aqui, no futuro.

Suas paixões inocentes são engraçadas demais. Por favor, pare de mandar cartinhas (anônimas ou não)! Sei que está doida para saber se seu amor platônico lindo e maravilhoso do terceiro ano do ensino médio um dia perceberá que você existe. A resposta é não. Aconselho você a adiar o dia em que se apaixonará de verdade. Enrole, deixe pra lá, espere bastante.

Assista mesmo a todas essas novelas mexicanas! São ótimas! E, só para esclarecer, você continuará tendo os livros como melhores amigos. Serão sempre sua companhia, sua alegria, seu vício. Seus pais continuarão próximos de você, assim como sua irmã. Você tem muita sorte. Não deixará de blogar e seu desejo de ser lida pelas pessoas será ainda maior -- o que dará rumo a suas futuras escolhas.

As ratinhas
Ah, Thaís, como queria te por no colo agora. No alto de seus dez anos de idade é a menina para quem eu vivo querendo provar que tudo está bem. Muitas vezes me pego pensando se você se orgulharia de mim. Tento colocar um pouco de você em tudo o que eu faço. Somos bem diferentes uma da outra, mas nós duas gostamos de histórias fantásticas, filmes emocionantes e leite com café no meio da tarde.

Você sabe, tanto quanto eu, que adoro escrever. Então, é melhor que eu me despeça antes que essa carta fique grande demais. Seja forte, Thaís de 2004, a vida irá te surpreender. E não, você não é a única da sua idade que ainda não tem peito, fique tranquila.

Com carinho e saudade,

Thaís.

[Especial] - Exposição: Escrito por elas

Texto que escrevi para o site da Biblioteca Universitária, inicialmente publicado em http://migre.me/ifjA8. Retomo o convite já feito aqui no blog aos moradores de Belo Horizonte: conheçam o Espaço de Leitura da UFMG! É meu lugar favorito no campus, cheio de livros legais.
De 10 a 28 de março, o Espaço de Leitura – localizado no primeiro andar da Biblioteca Central da UFMG – apresenta a exposição “Escrito por elas”. A proposta é homenagear as escritoras nacionais e internacionais mais lidas pelos adeptos do Espaço.



O que seria da literatura sem a produção feminina? Impossível imaginá-la sem o lirismo de Clarice Lispector, o mistério de Agatha Christie ou a ironia de Jane Austen. Quantos jovens leitores não se aproximam dos livros graças ao bruxinho Harry Potter, criação da britânica J. K. Rowling? Quantas crianças foram (e são!) marcados por “Marcelo, marmelo, martelo”, de Ruth Rocha?

A poesia de Cora Coralina, o cotidiano descrito por Adália Prado, os romances de Nora Roberts... As mulheres estão em todos os gêneros e estilos literários, produzindo obras que envolvem e encantam os mais diversos leitores.



Com coordenação de Cleide Vieira de Faria e Rosilene Moreira Coelho de Sá, a exposição reúne títulos de destaque de autoria feminina e apresenta curiosidades sobre essas publicações. Biografias de escritoras famosas, trechos de livros para “pegar e levar”, e, além disso, presença, nas pirâmides, apenas de obras escritas por elas. Para mais informações, ligue (31) 3409 4613.

[Resenha] - Livro: Quincas Borba


"Engana-se, senhor, trago essa máscara risonha, mas sou triste. Sou um arquiteto de ruínas."
- Machado de Assis

O livro “Quincas Borba”, um dos clássicos de Machado de Assis, embora tenha sido escrito em1891, traz personagens que poderiam muito bem viver nos dias de hoje. Uma obra repleta de confusão, paixão, desejo, loucura, interesses, riqueza, poder... elementos que, passe o tempo que passar, continuam alimentando a vida do ser humano.

Antes de morrer, o filósofo Quincas Borba – dono de um cachorro com o mesmo nome que o dele – deixou um testamento em que passava todos os bens para seu amigo, o professor Rubião. A única condição era que este deveria para sempre cuidar do cão Quincas Borba.

Rubião, é claro, ficou contente com a consideração do amigo – e mais ainda por seu súbito enriquecimento! Decidiu abandonar a cidade de Barbacena para viver no Rio de Janeiro, capital do Império. Ao chegar lá, fez amizade com Palha e sua adorável esposa Sofia.

Os dias de Rubião se passavam em meio a reuniões sociais com amigos, leituras de jornais, comentários sobre a vida alheia, almoços com um grupo de admiradores, prováveis candidaturas políticas e seu encanto pela mulher de Palha. O Rio de Janeiro foi palco de suas dúvidas e crises, na vida confortável que levava em uma casa cheia de empregados a sua disposição.

As coisas caminharam bem até que Rubião teve seu primeiro surto psicótico. A loucura – que outrora acometeu o homem Quincas Borba – foi de encontro ao seu herdeiro, sendo possível fazer uma análise dos valores que regem as amizades. Enquanto rico e lúcido, não faltavam bajuladores. Aos poucos, as únicas riquezas que restaram a Rubião – que pensava ser Napoleão Bonaparte – foram a companhia e a lealdade do espalhafatoso cachorro Quincas Borba.
Opinião: Machado envolve e surpreende, como narrador onisciente que parece conversar com o leitor. As divagações do autor, as histórias aleatórias que surgem inesperadamente e os personagens secundários, tão bem construídos quanto os protagonistas, fazem dessa leitura uma experiência deliciosa! Caso tenha interesse, a obra completa de Machado de Assis está disponível para download gratuito na biblioteca digital Domínio Público (http://machado.mec.gov.br/).


E vocês, já leram? Gostaram? (:

[Resenha] - Livro: Clube dos Herdeiros

Graças ao Clube dos Herdeiros, meu sábado foi incomum. Transportada por ele ao Rio de Janeiro, pude conhecer a elite jovem carioca, com seu luxo, suas confusões e, claro, suas muitas festas. O livro ainda não foi lançado! Trago a vocês, em primeira mão, minhas impressões sobre a obra da escritora Fabiana Madruga. 

O "Clube dos Herdeiros" possui 192 páginas e gira em torno da aristocracia carioca. Manuela, Helena, Guilherme, Henrique e Pietra são a nova geração das famílias mais endinheiradas da cidade e alvo constante das colunas sociais em revistas de fofoca. Mas o que se esconde sob essa máscara de contos de fadas?

Manuela é uma estudante de jornalismo que nunca se envolveu seriamente com alguém até conhecer "o esquisitão do show da Rihanna", apelido dado a Pedro por sua melhor amiga, Helena. Desde então, tudo o que ela quer - além de espaço para escrever em uma renomada revista de moda - é ficar com ele para sempre. Mas há um problema: Pedro é filho de uma dona de casa e de um taxista. Lutar contra o preconceito, por parte das duas família, não é tarefa fácil.

Helena, por sua vez, namora Guilherme há muito tempo. Os dois são o típico casal perfeito, embora os atrasos e as omissões do namorado muitas vezes irritem a estudante de direito - e estagiária do Ministério Público do Rio de Janeiro. Por mais que tudo esteja bem, falta a Helena alguma coisa. Guilherme não a acalma, não lhe traz paz.

Henrique estuda economia e está na mesma sala que Pedro. Ao repensar sua vida, decide embarcar numa viagem ao Haiti, para realizar trabalhos voluntários. Lá, conhece a médica balzaquiana Moyra e garante ter encontrado, enfim, alguém em quem confiar e se apaixonar. Será mesmo?

Pietra, a irmã mais nova de Manu é rebelde. Sempre bêbada, não mede esforços para alcançar seus objetivos - e eles incluem Guilherme. A carinha de sonsa esconde uma ausência de caráter capaz de transformar toda a calmaria em cacos de vidro num segundo.

Difícil também é não se encantar pela personagem Amélia, madrinha de Helena, que a criou e Henrique desde que eram muito pequenos. O passado das famílias está no prólogo "Aristocracia perdida", mini e-book disponível na Amazon.

Mentiras, traições, amizades sendo desfeitas e reconstruídas em meio a muito luxo e sobrenomes poderosos. Fabiana Madruga escreve, de maneira envolvente, um romance que tem tudo para ser um sucesso.

Opinião: Com essa apresentação, tentei mostrar um pouquinho do que tem no livro, mas creio que não consegui expressar o quanto gostei dele! São muitas reviravoltas! Cada capítulo começa com um trecho de música relacionado ao que acontece nele e termina deixando aquela vontade de saber mais e mais sobre o destino dos personagens.

Quando li a sinopse, não havia compreendido muito bem o que se tratava a história e, confesso, fiquei um pouco desinteressada. Porém, ao ler "Aristocracia perdida", fiquei super presa à leitura e pude perceber, então, que a escritora Fabiana sabe o que está fazendo. O mini livro serviu para atiçar minha curiosidade e o livro "Clube dos Herdeiros" me fisgou do início ao fim, por interligar tantas vidas e mostrar que, mesmo em meio à suposta perfeição, existem crises e infelicidade.

Difícil escolher uma personagem favorita, mas acho que Helena, com as "tiradas" mais engraçadas, foi a que mais me agradou durante a leitura. O "Clube do Herdeiros"  é leve e divertido, super recomendado. Mais um surpresa boa na literatura nacional! Mal vejo a hora de ler a continuação - que, para minha sorte, Fabiana já está terminando de escrever. 

O livro sairá pela Editora Draco e possui uma página no facebook.
Estão ansiosos para a publicação tanto quanto eu?


[8 on 8] - Preto e branco

Projeto fotográfico: Oito blogueiras, todo dia 8, postarão oito fotos.
Céu, livros e participação especial da Amanda na última foto. O tema deste mês é Preto e branco! No fim do post estão os links dos outros blogs participantes. :)



 





 Agnes Neves ♥ Barbara Sá  ♥  Gabriela Melo ♥ Helen Linhares ♥ Lavynnya Vilaça ♥ Luanna Lima ♥ Thayna Pasquariello

O que acharam?

[Resenha] - Livro: A Menina que Roubava Livros

A Menina que Roubava Livros
Markus Zusak
Editora Intrínseca

Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História.
A Menina que Roubava Livros foi, sem dúvidas, um dos mais encantadores livros que eu já tive o prazer de ler. Por mais que tenha enrolado um pouco no início, devorei o livro assim que entrei no ritmo da história. A inocência de Liesel e Rudy, o amor incondicional de Hans Hubermann e, claro, o adorável judeu do porão, Max ♥, fazem com que você deseje que o livro nunca acabe!

É impossível não se apaixonar pelos personagens e, claro, sofrer junto com eles. Cada página faz com que você ame mais e mais essa história.


Eu, apesar de amar a capa clássica do livro, fiquei simplesmente maravilhada com a capa do filme! Essa edição ficou incrível. Linda para colocar na estante (:


Se você ainda não leu esse livro, leia! Acredite em mim, você não vai se arrepender. Em breve sortearemos um exemplar desta edição com a capa do filme. E se já leu, aposto que também adorou! Conte-me nos comentários o que achou!

Não deixe de conferir a resenha do filme!