[Entrevista] - Bruno Couto


Bruno Couto é um carioca de 26 anos que nunca foi ao Pão de Açúcar. Ele é formado em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e sonha em ficar famoso para receber várias cartinhas de fãs. Já participou da equipe do Cabine Literária e, agora, faz vídeos para seu canal pessoal, Um Rinoceronte.


O leitor 

1. Qual o livro despertou seu gosto pela leitura e quando foi isso?
Essa pergunta é muito estranha, porque eu sempre li muito, mas não por gosto. Minha adolescência inteira foi sempre "ler por ler". Nessa fase, eu já lia muito Dan Brown, revista de videogame e Scott F. Gerald.

Por isso, eu considero que eu não tinha "gosto" pela leitura. Em oposição, eu consigo lembrar de dois momentos em que ler foi um movimento prazeroso; quando li "Morangos Mofados" do Caio Fernando Abreu, e o livro "Os cem melhores contos da literatura brasileira" do Italo Moriconi.

O livro de Abreu, eu estava numa livraria muito interessado em começar a ler a obra dele, e um senhor disse pra mim "comece lendo 'Sargento Garcia' esse texto é um golpe certeiro, se você não sentir nada. Nem perca seu tempo lendo o resto." (Acho que não preciso deixar claro que o golpe foi certeiro).

O livro de Moriconi foi um divisor de águas, porque eu tava no início da faculdade, e precisava conhecer mais coisas, escritores e estilos novos, eu me encantei por esse livro por que eram 100 contos, contos são histórias em geral de 5 a 10 páginas, então se eu não gostar de um conto, o próximo salva o anterior. O problema foi que gostei da seleção do livro e tinha devorado suas 700 páginas como quem chupa sorvete na praia, nem ai para tempo e prazos.

2. Qual seu personagem favorito do universo literário?
O chapeleiro maluco é meu herói da literátura. A loucura é um tema que me interessa muito, tanto que minhas piadas estão sempre com esse viés de "o que as pessoas não esperam que aconteça" e o quê "realmente está para acontecer".

3. Qual o livro com que mais se identifica e por quê?
"Os dragões não conhecem o paraíso". É um livro angustiante que fala sobre silêncios nas relações de amor familiar, amor platônico, amor por sexo, amor por perda. Eu poderia aqui enumerar todos os estilos de amor que o livro de contos se trata. Mas, em geral, são todos em torno de amor, e não necessariamente terminam em felicidade como num filme amoroso da sessão da tarde. Por isso, tenho tanta consideração com esse livro, tem muita solidão retratada que me ajudou muito em como lidar com as pessoas ou questões com meu próprio corpo e/ou ao gesto simples de lidar com os desejos amorosos e carnais.

4. Um livro que foi adaptado para o cinema e você gostou.
"Ponte para Terabítia"! Um exemplo de arte que supera o livro. Geralmente a gente tem o hábito de dizer que nada supera o livro, nesse caso o livro não chega aos pés do filme.

5. Um livro que foi adaptado para o cinema e você detestou.
Ensaio sobre a cegueira.

6. Qual seu estilo literário preferido?
Contos fantasticos.

7. Qual o autor que mais admira?
Atualmente, eu ando encantado pela Ana Cristina Cesar. Eu não consigo entender como essa mulher conseguia tornar tanto conhecimento em algo simples do quotidiano.

8. Quantos livros leu em 2015? Qual o melhor até agora?
Esse ano li nove livros, e a melhor leitura até então tem sido "Brasil: Uma biografia", que meu Deus! É de tirar o fôlego! Tem me deixando angustiado de como tendemos aos mesmos vícios identitários ao lidarmos com nossos problemas.

9. Deixe uma citação, uma passagem de algum livro que seja especial para você.
"Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias. Bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce, e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira – quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja(mais do que) doce a voz ao falar ao telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão.
- Que seja doce. Que sejamos doce. E seremos, eu sei."
Caio Fernando Abreu - Os dragões não conhecem o paraíso.
O vlogueiro

1. Qual foi sua primeira experiência como youtuber?
Minha primeira experiência foi para o Cabine Literária. Nas férias do ano passado (2014), eu havia criado um texto de "como ler livros grandes". Danilo achou que ficaria bom sendo gravado em vídeo, fiquei meio desconfiado, mas ele me deu bastante apoio, e isso foi muito importante, além de ter aprendido muito com a confecção de vídeo e edição pelos toques que ele me deu, me sinto cria do Cabine Literária até hoje.

Eu nunca tinha me imaginado gravando vídeos para um canal no youtube, achava até algo menor, "ahh ele é o menino que faz vídeos para o youtube, que gracinha". O Danilo me deu a ideia, eu fiquei receoso no início, depois acabei aceitando. Usei o texto que tinha feito para o site como roteiro. E, pronto! Foram seis horas gaguejando na frente da câmera, com um amigo dizendo: "Anda!".
Imagina que tenho a língua presa, e a síndrome: meu-Deus-vai-TODO-MUNDO-ME-Sacanear-por-isso. E ninguém imaginaria: me sacanearam pelo áudio ruim, não pela minha língua presa (não é que meus doze anos de fonoaudióloga resultaram? Ninguém percebeu, ao menos não comentaram nos vídeos). E o legal da história toda é que o primeiro vídeo já passou dos 35 mil visualizações, isto é, a sub-celebridade que já está se preparando para se inscrever na Fazenda! (as inimigas piram)

2. Por que decidiu criar um canal pessoal?
Eu havia saído do Cabine por não conseguir dar conta de gravar vídeos toda semana, e, ainda estava me preparando para o mestrado. Minha rotina andava uma loucura! Esse ano consegui relaxar mais, e como fiz muitas amizades, por conta do Cabine, confesso que não tive uma hastag (#VoltaBruno), mas tive um carinho de gente que nem me conhecia pessoalmente me dando apoio para continuar, já que havia gostado muito da experiência no canal anterior comprei uma câmera e voltei.

3. Quais assuntos você aborda no canal?
Por enquanto, eu to tentando me adaptar ainda. O tema tem sido sobre cinema e literatura, que são minhas paixões, meu encanto. Mas penso em expandir, então quanto mais cresço com a edição, mais vão surgindo ideias para os próximos vídeos. Eu vou avançando com um passo de cada vez, estou sem pressa e com muitas pretensões, mas no meu ritmo. E, acredite: nada melhor na vida que ter seu próprio ritmo!

4. De todos os vídeos que você já fez, qual seu favorito?
O meu favorito foi o "Quem tem cacife pra falar sobre literatura?", um debate que a Tati Feltrin fez no canal dela, e eu achei super pertinente comentar sobre ele. Ainda tem gente que acha que literatura não é para todo mundo, imagina que bobagem e arrogância! Literatura é para todos!

Conheça mais o Bruno! (E mande cartinhas para ele)

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3 comentários:

  1. Heey!
    Adorei a entrevista, o Bruno é muito gente boa e amei o quote que ele selecionou ♥
    Abraços!!
    http://desbravando-o-infinito.blogspot.com.br/

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  2. *Anotando os nomes do livros citados aqui*

    Adorei!

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