[Thaís Diz] - Tudo se encaixa, em caixas

Texto publicado originalmente no blog Oi, Tatu do Bem.



Mexendo no porão de casa encontrei duas caixas que pela aparência careciam de cuidado e organização. E não há período melhor do as férias para faxinar as coisas e dar um jeito na bagunça. Resolvi ver o que é que havia ali dentro.

Reencontrei meus tesouros: todos os diários que escrevi durante a vida! O mais antigo comecei com 5 anos e está cheio de desenhos, frases curtinhas, traços de caneta brilhante, tabelas, jogos de stop! E dei início com este a uma viagem pelo meu passado, pela minha história. Despindo-me da vergonha e do amor-próprio compartilho com vocês agora um pouco do que redescobri (basta clicar nas fotos para vê-las maior).

Entre espirros e risadas, vasculhei tudo. Reli as cartinhas e os bilhetinhos colados naquelas páginas. Ri da minha caligrafia e do meu modo de contar os fatos. Aos seis anos a confissão da admiração pela Xuxa, aos sete a raiva dos meninos que riam das bonecas das garotas durante o recreio e assim segui em narrações pessoais e, pelo menos para mim, engraçadas.

Desenhava pessoas que acabava de conhecer, chamando-as de "novas personagens da minha vida". Montava pequenos perfis delas e fiquei surpresa ao ver que muitas hoje em dia nem devem me cumprimentar quando me encontram na rua - o tempo é cheio dessas gracinhas, como afastar amigos e torná-los estranhos. Emocionei-me ao encontrar inúmeras menções a um amigo que faleceu recentemente (o "Marku", deste desenho que se segue) e o afastamento, nesse caso, não foi por vontade nossa.

 A pré-adolescência repleta de ídolos da música e do cinema, anotações de gastos com figurinhas na banca, recados da melhor amiga, adesivos, fotos das festas de aniversário, correios-elegantes das festas juninas, autógrafos da banda Ultraje a Rigor, relatos de paixões eternas que não duravam mais do que uma semana... tudo dando sentido ao "meu jeitão" de ser.

Lembranças se fizeram vivas nessa tarde, como se saltassem dos cadernos para retornarem a mim.  Por instantes eu deixei de ser a universitária que precisava de um texto para o blog e me tornei novamente a menina que sonhava em ser escritora, cantora, atriz e fada.
Foi divertido compreender o quanto as coisas passam rápido e as mudanças são claras. Tudo o que é escrito, eterniza-se. Jamais deixarei de dar valor ao poder que as palavras têm. Hoje, por exemplo, essas que despejei em papéis decorados sem ter qualquer intenção ou propósito me fizeram entender um pouco mais sobre mim (e perceber que nunca bati muito bem das ideias).

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